quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Salvem as crianças (e as que já fomos)

Frida Kahlo - Minha ama e eu (1937)

Essa semana, mais um interessante viral no (  )querido/ (  )detestado (mas necessário?) Facebook. Alguém, que não é de nossas terrinhas, resolveu promover uma campanha contra a violência e o abuso sexual contra crianças. O primeiro passo consiste em mudar sua imagem do perfil; em seguida, cada pessoa deveria acessar uma página (ou várias, se ela for a Madonna) e doar uma quantia para uma das instituições internacionais que cuidam desses assuntos.

Não soube da notícia tão detalhada assim, logo de cara. Só quando me senti em alguma versão globalizada de Uma cilada para Roger Rabbit é que fui atrás de respostas. Tudo o que tinha visto era uma frase "mude sua foto do perfil para a imagem do desenho que mais marcou sua infância! Assim você dirá que é contra o abuso sexual de crianças" - ou alguma coisa do tipo. Mas, sinceramente: eu posso dizer isso usando a minha cara, assim, adulta. É até melhor, porque acho que não vão acreditar em alguém que não use o próprio rosto para dizer o mesmo.

Tem um quê de inocência realmente acreditar que várias imagens de desenhos animados comovam outros que não nós mesmos, nessa nossa constante vontade de voltar aos tempos em que não perder seus episódios era a nossa maior preocupação diária (isso e comer o máximo de jambos que pudesse, no meu caso). Por outro lado, fico pensando no que li há algum tempo: é confortável a situação daquele que se manifesta somente em meios virtuais, refestelado em seu sofá, sem enfrentar todos os fatos exaustivamente comentados em nossas tão vivas redes virtuais. Ou estamos chegando ao ponto de achar que virtual e real são uma coisa só?

As crianças que sofrem abuso, que são abandonadas em latões de lixo e nas beiras dos rios, que sofrem violência, elas ainda são reais. Até mesmo as que vivem em famílias estáveis, rodeadas de mimos e presentes - mas não podem contar com a presença dos pais de fato interessados na vida delas. Não são poucas as que vejo sendo tratadas como outro utensílio ou objeto decorativo da casa. Proibidas de brincar, de serem crianças, feito bonecas, com as quais os pais se divertem e depois deixam em alguma gaveta/creche/escola/babá. Elas ainda precisam de uma ajuda real, de um carinho real, de um lar real.

Provavelmente, a pessoa que iniciou essa onda que chegou rapidamente ao Brasil conseguiu angariar alguma coisa para as entidades que divulgou em sua pequena ação na internet. Divulgo, aqui, uma lista de entidades que atuam no Brasil e que, de bom grado, podem receber sua ajuda. Ou então, quando você vir uma criança, dê carinho a ela. Brinque com seu(s) filho(s)/filha(s). Divirta sua criança interior! Se tem tanta gente adulta e rabugenta no mundo é porque esquece e negligencia a propria criança que é.

De minha parte, agradeço às várias pessoas que conheço por me darem essa chance de ser amiga de vários personagens que alimentaram minha imaginação e que, de uma forma ou de outra, acabaram influenciando a pessoa que sou agora. Tem sido divertido ver esse baile de máscaras e ver tanta gente brincando de voltar a ser criança.

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