quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ausência em Tereza


Ainda nos dias circunvizinhos à abertura da Ausência, da terezadequinta, já havia ameaçado que a exposição seria fonte para uma futura publicação aqui. Gostaria de ter feito isso antes do término do período de exposição, até para servir como estímulo a outras visitas. Infelizmente, não consegui escrever sobre a exposição até este exato momento.

A Tereza tem uma qualidade interessante e que, a meu ver, ela consegue transferir muito bem para as suas obras. Ela deseja e absorve o mundo, sem deixar de impregná-lo dela mesma. Graças a isso, nos trabalhos dela há uma forte atenção para os sentidos e para as sensações, para o sentimento, para o sensual. É um desejo de estar no mundo sensível e pulsante, portanto, vívido. É a busca da amálgama perfeita, daquilo que possa unir imagem, paixão e vida, não de forma definitiva, porém fluida, maleável e livre.

É também graças a essa qualidade camaleoa que seu trabalho fica permeado das influências artísticas experimentadas, vividas ou estudadas ao longo da vida - mas deixando espaço aberto para o que está por vir. Conscientes ou não, os traçados e cores vão preenchendo os espaços. Os elementos, estejam eles desenhados, colados ou bordados, gestual ou milimetricamente distribuídos, vão dando consistência ao que a artista talhou de si: é da alma que surge a matriz de cada desenho.

Muitos mencionaram a estranheza da relação do nome da exposição com as obras apresentadas. Afinal de contas, onde estava a tal ausência? E a questão é justamente essa: a ausência só é notável se há referência àquilo que falta, no caminho entre o esquecimento e a lembrança. No entanto, em Fragmentos do discurso amoroso, Roland Barthes diz:


De fato, não creio que ninguém conviva com a ausência, e sim que a suporte e manipule. Ausência é uma falta, uma fome que, de uma forma ou de outra, deve ser aplacada, ao menos minimizada. A existência da obra, repleta de si, não aplaca a falta do outro; é antes um paleativo para o tempo. Para quem ama, o tempo da ausência é angústia. Mas é da ausência que surge o desejo, assim como a fome dá mais gosto à comida. A terezadequinta ofereceu um farto banquete de sensações do ausente a partir do momento em que, dando-se conta dele, transformou-o no prato principal.