segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre Art Nouveau e Animes


Tem sempre uma coisa que você fica matutando na cabeça e não fala (ou fala, mas não publica). Bem, a minha é em relação a grande influência que alguns animes (séries de animação japonesa veiculados em emissoras de tv) sofrem de elementos da art nouveau (movimento artístico das primeiras décadas do século XX), chegando mesmo a se inspirar (de uma forma bem óbvia) em obras de artistas como Mucha, Klimt e Toulouse Lautrec, entre outros.

Isso é uma coisa interessante pois a Art Nouveau surgiu num período em que os artistas europeus (e a Europa como um todo) voltavam a ver o Oriente com outros olhos. Principalmente por conta do surgimento da fotografia, de uma certa descrença nos valores europeus da época e pelo espírito romântico dos fins do séc. XIX e início do séc. XX, muitos artistas buscavam novas referências para sua produção e a arte japonesa (em especial a gravura e a estamparia) caiu como uma luva naquele momento.

Por outro lado, no Japão desenvolveu-se na animação desde o começo do século XX, quase que em paralelo com as produções da Disney. Mas foi depois da Segunda Guerra Mundial que o anime chegou aos formatos atuais, contando em seu surgimento com grande influência da animação produzida nos Estados Unidos. Ainda assim, os formatos, as narrativas e a estética são bem próprias deles.

Ambos tem como característica forte uma a popularização de sua produção. A Art Nouveau foi para as ruas em cartazes (na onda da modernização da litografia), influenciou a arquitetura, a decoração e até as jóias produzidas na época. O anime não é diferente e há muito está bem inserido no universo pop e globalizado. Vemos otakus em todo canto.

Nesse toma lá, dá cá entre oriente e ocidente, eis que me dou conta dessa inevitável relação quando conheci a Art Nouveau. Muitos dos responsáveis pelas séries que eu assisti estudaram artes e com certeza devem ter visto arte ocidental. Mas não deixa de ser curioso ver isso acontecendo! Não seria a mesma coisa se eles simplesmente se baseassem na arte japonesa, com certeza.

Para quem torce o nariz para os desenhos de olhos grandes, fica a dica. Professores de arte, olha só o material que vocês tem a disposição para que seus alunos vejam com outros olhos a aula! É um prato cheio para se discutir globalização e cultura, não acham? Acho até que sobra pano para discutir a construção da imagem feminina em ambos.

Segue o link da abertura de Elfen Lied que, por acaso, tem música em latim (outro detalhe ocidental). Achei muito interessante o passeio feito pelas obras do Gustav Klimt, que por sinal, são rhycas! Outra dica para comparação é a produção do Grupo Clamp (Sakura Card Captor, Guerreiras Mágicas, X, Tokyio Babylon, Chobits...) versus Alfonse Mucha (especial atenção aos calendários, às estações do ano e ao zodíaco que ele criou). Não tem como não relacionar!

Aubrey Beardsley e William Bradley, no entanto, tem uma mega puxada das gravuras japonesas. Não dá pra dizer que eles servem de referência (ou se foram direto na fonte, que é de casa), mas não deixem de dar suas googladas para ver as possibilidades. Eu mesma achei uma imagem do Bradley que me lembrou muito Cowboy Bebop.

Pra que quiser ver mais imagens de Art Nouveau, clique aqui

Então, curtiram ou falei besteira?

Voltando

Estou criando coragem para pousar, novamente. Palavra às vezes é que nem passarinho, tem que ter certeza absoluta de que o papel ou a tela é tão seguro quanto o pensamento, assim como o bicho tem que saber que o chão, o fio ou o galho é tão seguro quanto o ar. Só então é que, letra por letra, a palavra desce da cabeça para os dedos e se fixa onde todos, além daquele que pensa, possam vê-la.

Eu escrevo e desenho porque preciso, não da atenção, mas da liberdade. Existe uma coisa da palavra e do desenho que estão firmemente vinculadas a mim, fazem parte desse longo aprendizado que ainda tenho pela frente. Por isso vou logo avisando que vou ser ingênua, iniciante, aprendiz em ambos. Eu quero ter a liberdade de partilhar a minha inexperiência com outras pessoas para, quem sabe, aprender mais com quem vejas minhas coisas.

Até breve!